08/09/2026

Cigarrinha-do-milho: manejo integrado reduz o risco de enfezamentos, risca do milho e tombamento

A tiny leafhopper insect is perched on a long green leaf. The insect appears light brown or tan, contrasting against the deep green surface. Fine hairs and textures on the leaf are clearly visible, emphasizing the macro perspective. The scene highlights the delicate details of both the insect and the plant.

Em resumo: a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) transmite os agentes associados aos enfezamentos pálido e vermelho, além do vírus da risca do milho. Como a transmissão pode ocorrer nas fases iniciais da cultura e os sintomas aparecerem somente mais tarde, o manejo deve começar antes dos sinais visíveis. Eliminar o milho voluntário, reduzir a sobreposição entre lavouras, escolher híbridos com melhor comportamento frente às doenças, monitorar o vetor e utilizar produtos registrados são medidas que ajudam a reduzir os riscos.

 

A cigarrinha-do-milho exige atenção principalmente pelo seu papel como vetor de patógenos. A espécie Dalbulus maidis transmite o espiroplasma associado ao enfezamento-pálido, o fitoplasma associado ao enfezamento-vermelho e o Maize rayado fino virus (MRFV), causador da risca do milho.

A transmissão pode ocorrer ainda nas fases iniciais do desenvolvimento da cultura. Como os patógenos colonizam sistemicamente a planta, principalmente os tecidos do floema, os sintomas podem se tornar evidentes somente mais tarde.

Por isso, esperar o aparecimento dos sintomas para iniciar o manejo pode significar que a infecção já ocorreu.

Quais doenças a cigarrinha-do-milho transmite?

Entre os principais problemas associados à cigarrinha-do-milho estão:

  • Enfezamento-pálido, associado ao espiroplasma Spiroplasma kunkelii;
  • Enfezamento-vermelho, associado a um fitoplasma;
  • Risca do milho, causada pelo Maize rayado fino virus (MRFV).

As injúrias provocadas diretamente pela alimentação da cigarrinha são consideradas secundárias quando comparadas aos danos que podem resultar da transmissão desses patógenos.

Os sintomas associados ao complexo podem incluir redução do crescimento, encurtamento dos entrenós, alterações na coloração das folhas, proliferação de espigas, má formação de espigas e redução da produção de grãos.

A expressão dos sintomas varia conforme fatores como o híbrido, o estádio em que ocorreu a infecção, as condições ambientais e a presença simultânea de mais de um patógeno.

Por isso, os sintomas visuais ajudam na identificação do problema, mas nem sempre permitem distinguir com segurança os diferentes agentes envolvidos.

Como os enfezamentos podem afetar a produtividade?

O impacto dos enfezamentos pode ser expressivo porque a infecção interfere no desenvolvimento da planta e na formação das espigas.

Em levantamento realizado em 24 lavouras de milho safrinha no Paraná, Oliveira et al. (2003) encontraram incidência de plantas com sintomas de enfezamentos variando de 6,2% a 49,9%, com média de 20,7%. Dalbulus maidis foi encontrada em 20 das 24 lavouras avaliadas e representou 66,6% das cigarrinhas coletadas.

Para as condições regionais e o período analisado, os autores estimaram perdas potenciais de aproximadamente US$ 16,5 milhões associadas aos enfezamentos.

Esses valores ajudam a demonstrar a importância econômica do problema, mas não devem ser extrapolados diretamente para outras regiões, híbridos ou safras.

Em outro estudo, Toffanelli e Bedendo (2002) avaliaram, em condições controladas, plantas jovens de um híbrido suscetível submetidas a diferentes populações de cigarrinhas infectivas. O aumento do número de insetos utilizados na inoculação esteve associado ao aumento da incidência e da severidade dos sintomas e à redução da produção de grãos.

No tratamento com nove insetos infectivos por planta, a redução média de produção chegou a 91,3%.

Esse resultado demonstra o potencial de dano de uma infecção precoce sob condições experimentais, mas não representa uma expectativa de perda para lavouras comerciais.

Qual é a relação entre cigarrinha e tombamento?

A cigarrinha-do-milho não causa diretamente o tombamento das plantas.

Seu papel é transmitir os agentes associados aos enfezamentos e à risca do milho. Quando a planta é infectada, esses patógenos podem comprometer seu desenvolvimento e funcionamento fisiológico.

Em situações de maior severidade, a mobilização de reservas pode contribuir para o enfraquecimento do colmo e para a ocorrência de tecidos com aspecto isoporizado. O complexo de doenças também pode favorecer condições associadas às podridões de colmo.

A combinação desses fatores, juntamente com a suscetibilidade do híbrido e as condições ambientais, pode aumentar o risco de quebra ou tombamento das plantas.

Portanto, a relação deve ser entendida como uma cadeia indireta:

cigarrinha infectiva → transmissão dos patógenos → desenvolvimento das doenças → alterações fisiológicas e estruturais → maior risco de enfraquecimento do colmo, podridões, quebra ou tombamento.

Além da perda de plantas, a quebra e o tombamento podem dificultar a colheita e aumentar as perdas no campo.

Por que o manejo precisa começar cedo?

Um dos pontos críticos no manejo da cigarrinha-do-milho é o momento da infecção.

Os patógenos associados aos enfezamentos colonizam sistemicamente a planta, enquanto os sintomas podem se tornar evidentes somente em fases mais avançadas do desenvolvimento.

Isso significa que a ausência de sintomas visíveis não significa necessariamente ausência de infecção.

Além disso, infecções ocorridas nas fases iniciais da cultura tendem a apresentar maior potencial de dano.

Por isso, o manejo deve ser predominantemente preventivo e integrado, buscando reduzir a presença do vetor e as oportunidades de transmissão.

Depois que os patógenos se estabelecem na planta, não existe uma medida curativa capaz de eliminá-los. O controle da cigarrinha pode proteger plantas ainda não infectadas, mas não reverte a infecção de plantas já doentes.

O milho voluntário aumenta o risco?

Sim.

O milho é o principal hospedeiro de Dalbulus maidis. Plantas voluntárias, também conhecidas como “milho tiguera” ou “milho guaxo”, podem contribuir para a manutenção da cigarrinha e dos patógenos entre os cultivos.

Por isso, a eliminação do milho voluntário é uma das medidas importantes dentro do manejo integrado.

Também é importante reduzir, sempre que possível, a sobreposição entre lavouras de diferentes idades. Lavouras mais velhas podem funcionar como fonte de cigarrinhas que migram para áreas recém-estabelecidas.

O planejamento regional da semeadura e a redução de janelas excessivamente longas de plantio podem contribuir para diminuir essa continuidade de plantas de milho disponíveis ao vetor.

Como manejar a cigarrinha-do-milho?

Não existe uma única medida capaz de resolver o problema em todas as situações.

O manejo deve integrar diferentes estratégias:

  • Eliminar o milho voluntário durante a entressafra e entre cultivos;
  • Monitorar a presença da cigarrinha desde o estabelecimento da cultura;
  • Reduzir, quando possível, a sobreposição entre lavouras de diferentes idades;
  • Planejar a época e a janela de semeadura considerando as condições e recomendações regionais;
  • Escolher híbridos com melhor comportamento frente aos enfezamentos, considerando informações técnicas atualizadas;
  • Utilizar tratamento de sementes e inseticidas registrados quando recomendados, sempre de acordo com a bula e as condições da área;
  • Rotacionar mecanismos de ação dos inseticidas, contribuindo para o manejo da resistência;
  • Integrar as diferentes ferramentas, evitando depender exclusivamente do controle químico.

O objetivo é reduzir a população do vetor e, principalmente, diminuir as oportunidades de transmissão dos patógenos para plantas ainda não infectadas.

Onde entram Lannate® BR e Re-Up®?

As duas soluções exercem funções integradas dentro do sistema de produção e complementam as demais táticas de manejo.

Lannate® BR

Lannate® BR é um inseticida à base de metomil, registrado para o controle da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) na cultura do milho.

O produto atua sobre o vetor, apresentando um excelente de choque e deve ser utilizado conforme as recomendações de bula, integrado ao monitoramento e às demais práticas de manejo.

Re-Up®

Re-Up® é um fertilizante mineral complexo, formulado com nutrientes que contribuem para o funcionamento fisiológico e nutricional da planta e para a expressão do seu potencial produtivo em condições desafiadoras, atua promovendo o equilíbrio fisiológico da lavoura e a estruturação de barreiras físicas e bioquímicas da planta.

Pontos mais importantes a se considerar

  • Principal risco: transmissão dos agentes associados aos enfezamentos e à risca do milho.
  • Momento crítico: infecções nas fases iniciais da cultura apresentam maior potencial de dano.
  • Atenção: ausência de sintomas visíveis não significa necessariamente ausência de infecção.
  • Milho voluntário: deve ser eliminado para reduzir a continuidade do hospedeiro entre cultivos.
  • Tombamento: não é causado diretamente pela cigarrinha; pode resultar de uma combinação de alterações provocadas pelo complexo de doenças, enfraquecimento do colmo, podridões, características do híbrido e condições ambientais.
  • Controle químico: atua sobre o vetor, não sobre os patógenos já estabelecidos na planta.
  • Base do manejo: prevenção, monitoramento e integração de diferentes estratégias.

Proteger a lavoura começa antes dos sintomas

O impacto da cigarrinha-do-milho está relacionado principalmente à sua capacidade de transmitir patógenos.

Por isso, o manejo não deve começar quando os sintomas aparecem.

A estratégia deve ser construída antes e durante o estabelecimento da cultura, considerando o histórico da área, a presença de milho voluntário, a época de semeadura, o híbrido utilizado, a ocorrência da cigarrinha e as condições regionais.

Quando necessário, o controle do vetor deve utilizar produtos registrados e seguir rigorosamente as recomendações de bula e da assistência técnica.

Quanto menor a oportunidade de transmissão dos patógenos, maior a chance de preservar o potencial produtivo da lavoura.

Perguntas frequentes sobre a cigarrinha-do-milho

Referências

COSTA, R. V. et al. Incidence of corn stunt disease and its effects on grain yield in commercial maize hybrids according to different sowing seasons. Journal of Agricultural Science, 2019.

COSTA, R. V. et al. Corn stunt disease complex increases charcoal rot severity in maize. 2023.

FRAGOSO, D. de B.; MENDES, S. M.; COSTA, R. V. da; TOCANTINS, R. Z. da. Dalbulus maidis (DeLong & Wolcott, 1923) (Hemiptera: Cicadellidae). In: SANTOS, R. S.; ADAIME, R.; FAZOLIN, M.; SILVA, N. M. da (ed.). Entomologia agrícola e florestal na Amazônia: desafios e oportunidades de pesquisa. Brasília, DF: Embrapa, 2026. cap. 31, p. 293-300.

OLIVEIRA, E. de; RESENDE, R. de O.; GIMÉNEZ PECCI, M. de la P.; LAGUNA, I. G.; HERRERA, P.; CRUZ, I. Incidência de viroses e enfezamentos e estimativa de perdas causadas por molicutes em milho no Paraná. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 38, n. 1, p. 19-25, 2003.

TOFFANELLI, C. M.; BEDENDO, I. P. Efeito da população infectiva de Dalbulus maidis na produção de grãos e no desenvolvimento de sintomas do enfezamento vermelho do milho. Fitopatologia Brasileira, v. 27, n. 1, p. 82-86, 2002.

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